Lagoa de Ibiraquera volta a ficar imprópria para banho e expõe falhas históricas no saneamento da região
A Lagoa de Ibiraquera, localizada em Imbituba e inserida na Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (APABF), foi classificada como imprópria para banho no mais recente relatório de balneabilidade divulgado pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), na sexta-feira (16). As coletas que embasaram o levantamento foram realizadas na terça-feira (13) em pontos monitorados ao longo do litoral catarinense.
Segundo o IMA, a amostra coletada na lagoa apresentou contaminação fecal recente, identificada pela presença da bactéria Escherichia coli (E. coli), utilizada como indicador de poluição causada por esgoto ou dejetos de origem humana e animal.
Apesar do resultado negativo para a Lagoa de Ibiraquera, a APABF informou que a maioria das praias inseridas na unidade de conservação apresenta condições adequadas para banho, com índices considerados acima da média estadual. Conforme o relatório, também foram classificados como impróprios pontos da Praia da Pinheira (ponto 5), da Praia de Garopaba (pontos 1 e 2), da Lagoa dos Freitas e da Praia do Rincão, em Balneário Rincão.
Problema crônico de saneamento
Para o analista ambiental da APABF/ICMBio, Stéphano Diniz Ridolfi, a situação da Lagoa de Ibiraquera reflete um problema recorrente relacionado à ausência de saneamento básico adequado na região.
“Precisamos reverter esse problema crônico, onde todos saem perdendo, tanto as pessoas quanto os ecossistemas marinhos”, avaliou.
De acordo com Ridolfi, a poluição por esgoto pode ocorrer de forma pontual ou difusa. No caso da Lagoa de Ibiraquera, a contaminação difusa é considerada recorrente e está associada à presença de fossas irregulares, que contaminam o lençol freático e acabam despejando resíduos na lagoa.
“Quando a poluição é pontual, é possível identificar o responsável e adotar medidas como autuação, multa e exigência de reparação. Mas, na Lagoa de Ibiraquera, o que predomina é a poluição difusa, o que dificulta a identificação das fontes. Por isso, é fundamental encarar esse conflito socioambiental e envolver prefeituras, órgãos ambientais, Ministério Público e a sociedade para resolver a questão”, destacou.
Abertura irregular da barra não resolve o problema
O chefe da unidade de conservação também alertou para a abertura irregular da Barra de Ibiraquera, prática frequentemente apontada por moradores como alternativa para melhorar a balneabilidade. Segundo ele, a medida não soluciona o problema da poluição e pode agravar os impactos ambientais.
“Abrir a lagoa repetidamente para escoar o esgoto não resolve a contaminação e pode gerar consequências ainda mais graves, como a perda de biodiversidade e o comprometimento do ecossistema como um todo”, afirmou.
Plano de ação para lagoas costeiras
Ainda conforme a APABF, está prevista para o primeiro semestre de 2026 a apresentação do Plano de Ação das Lagoas Costeiras da APA da Baleia Franca. O documento deverá estabelecer diretrizes de conservação e monitoramento das lagoas ao longo de um período de cinco anos, incluindo medições da qualidade da água, controle do nível hídrico e caracterização ambiental das lagoas costeiras da região.
