Câmara de Garopaba rejeita CPI da coleta de lixo por voto de desempate

Câmara de Garopaba rejeita CPI da coleta de lixo por voto de desempate

Pedido de investigação sobre contratos de resíduos sólidos foi barrado por cinco votos a quatro durante sessão marcada por embates sobre o papel fiscalizador do Legislativo

A Câmara de Vereadores de Garopaba rejeitou, na sessão ordinária desta terça-feira (3), o requerimento que solicitava a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis irregularidades nos contratos da coleta de lixo do município. A proposta foi derrotada por cinco votos a quatro, após empate que acabou sendo decidido pelo voto de desempate do presidente da Casa, vereador Edmundo Alves do Nascimento (PP).

Foto: Câmara/YouTube

Votaram favoravelmente à abertura da CPI os vereadores Felippe de Souza (MDB), Rodrigo de Oliveira (PT), Rogério Linhares (Podemos) e Atanásio Gonçalves Filho (MDB). Já os votos contrários partiram de Edmundo Alves do Nascimento (PP), Jairo Pereira dos Santos (PP), Filipe do Agro (PP), Aires dos Santos (PP) e Sérgio Jacaré (PL).

O pedido foi protocolado por parlamentares da oposição após a prisão preventiva do prefeito Junior de Abreu Bento (PP), ocorrida em 8 de janeiro, durante a segunda fase da Operação Coleta Seletiva, deflagrada pela Polícia Civil. O requerimento previa a investigação de processos licitatórios e contratos relacionados à coleta, reciclagem e destinação final de resíduos sólidos no município.

Durante a sessão, o vereador Atanásio Gonçalves Filho, conhecido como Nazinho, criticou duramente a rejeição da proposta e afirmou que a decisão representaria uma renúncia à função fiscalizatória do Legislativo. “Aqui nós estamos votando contra uma CPI justamente para apurar supostas ilegalidades. É colocar sua digital a favor da corrupção”, declarou. Segundo ele, a abertura da comissão serviria para esclarecer os fatos à população. “Quem não deve, não teme”, completou.

O vereador Rodrigo de Oliveira também defendeu a instauração da CPI e citou elementos da investigação policial em andamento. “Dizer que a gente quer abrir uma CPI com base em fofoca, sendo que são 394 páginas de investigação da Polícia Civil e 30 páginas de depoimento de empresário confessando recebimento de propina, não condiz com a realidade”, afirmou. Para o parlamentar, a Câmara não estaria julgando, mas exercendo sua prerrogativa constitucional de fiscalizar o Executivo.

Rodrigo ainda alertou para uma possível omissão do Legislativo. “Esta Casa tem função constitucional de apurar os atos do Poder Executivo, e os senhores estarão prevaricando se entenderem que ela deve se omitir diante da abertura de uma CPI”, disse.

Durante o debate, o vereador Sérgio Jacaré levantou questionamentos sobre o acesso a documentos mencionados na tribuna. “A questão dos documentos que o Rodrigo tem ali, eu não sei se o processo é sigiloso. Como ele teria acesso?”, declarou, ressaltando tratar-se apenas de um questionamento.

O vereador Felippe de Souza também voltou a defender a CPI e afirmou que os fatos afastariam qualquer alegação de uso político do instrumento. “No dia 8 de janeiro se estabeleceu um marco, uma divisão entre quem buscava a verdade e quem preferiu fechar os olhos e cegar a população. Chega de sujeira para debaixo do tapete. Vamos abrir essa CPI hoje”, afirmou.

Em posicionamento contrário, o vereador Jairo Pereira dos Santos disse confiar no trabalho das instituições responsáveis pela investigação. “Se tiver algum culpado, vai ser punido pela Justiça. Eu engavetei uma CPI porque sabia que a polícia tem o poder e a competência para fazer o seu trabalho”, declarou. Para ele, as apurações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Judiciário seriam suficientes para responsabilizar eventuais envolvidos.

Encerradas as discussões, o requerimento foi colocado em votação e terminou empatado em quatro votos a quatro. Coube então ao presidente da Câmara o voto de desempate. “Quatro a quatro, rejeitado com voto de desempate deste presidente”, anunciou Edmundo Alves do Nascimento.

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Júlio Matias Cardoso

Júlio Matias Cardoso é jornalista com atuação focada na produção de conteúdo informativo de interesse público, destacando-se pelo rigor na apuração, clareza na escrita e compromisso com a veracidade dos fatos. Como profissional qualificado a escrever para o Garopaba Total, desenvolve reportagens e textos que valorizam a realidade local, abordando temas relevantes para a comunidade com responsabilidade, ética e sensibilidade jornalística. Seu trabalho busca informar, contextualizar e aproximar o leitor dos acontecimentos, contribuindo para um jornalismo acessível, confiável e conectado com a vida cotidiana de Garopaba.

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